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DIPLOMATAS QUE SALVARAM VIDAS

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Diplomatas que salvaram vidas

        Os nazistas dependeram do apoio de milhões de pessoas para assassinar milhões de judeus. Dos poucos judeus que sobreviveram ao Holocausto, alguns lograram principalmente graças a sua própria iniciativa e seus próprios recursos. Entretanto, outros foram ajudados por pessoas boas - amigos, vizinhos e pessoas absolutamente estranhas.
        Muitas pessoas fizeram vista grossa e não fizeram nada para ajudar, o que e pior, tomaram mais difícil para os inocentes a possibilidade de sobreviver. Os diplomatas gozavam de um status especial nos países em que serviam e se encontravam numa posição única para oferecer uma significativa ajuda aos refugiados. Muitos atenderam a todos os pontos das regulamentações de seus governos para impedir que os judeus entrassem em seus países. Não obstante, uns poucos brilharam como um farol na imensa escuridão, faróis solitários que guiaram os refugiados, ajudando-os a passar as rochas mortais e os campos minados do Holocausto.
        As pessoas a quem rendemos esta homenagem nesta exibição resgataram dezenas de milhares de pessoas, em sua maioria judeus. Esta é uma extraordinária oportunidade para tomar públicas as Histórias destas pessoas altruístas que verdadeiramente iluminaram como um farol.
        O resgate de judeus é uma história dramática e importante no Holocausto, que revela muito acercas das limitações e das possibilidades dos seres humanos em sua determinação de atuar. Não obstante, é marginal. Marginal porque a  maioria dos Judeus da Europa não foram resgatados - foram assassinados. Marginal porque se investiu muito mais atenção, esforços e recursos para assassiná-los que para salvá-los. E margina] pelo momento em que ocorreu.
        O    resgate de números significativos de judeus foi possível somente durante duas breves oportunidades que existiram durante o período do holocausto desde o começo, antes da ocupação assassina se fizesse asfixiante, e ao final, quando começou a debilitar-se.
        O Parlamento de Israel autorizou o Yad Vashem a perpetuar os Justos entre as Nações que arriscaram suas vidas para salvar judeus. Até esta data já foram reconhecidos cerca de 16000, dentre estes, 20 eram diplomatas, que tiveram ações decisivas para salvar dezenas de milhares de judeu.

RAUL WALLENBERG

Não sei se sou hóspede dos soviéticos, ou seu prisioneiro»

RAOUL WALLENBERG, 17 de janeiro, 1945

        Assim disse Raoul Wallenberg no dia em que foi levado, sem voltar a ser visto novamente como homem livre.
        As façanhas de Wallenberg na Hungria, em 1944, se tornaram legendárias, quase místicas. Não exageraremos em seus feitos, a verdade é que outros atuaram de forma semelhante. Contudo, Wallenberg foi extraordinário. Foi incansável em seus esforços em salvar judeus da deportado.
        Em sua última conversa com Per Anger, disse: Nunca poderei regressar a Estocolmo, sem estar intimamente convencido de que fiz tudo o que um homem poderia ter frito pata salvar a maior quantidade possível de judeus.
        Wallenberg perseguiu comboios de prisioneiros e enfrentou guardas húngaros e alemães - incluindo até mesmo Adolf Eichmann - para assegurar a libertação de judeus, que ele assegurava estarem sob proteção sueca. Emitiu milhares de passes protetores, colocou cerca de 15.000 judeus em 31 casas de proteção e ajudou a frustar uma conspiração para explodir o gueto de Budapeste. com os habitantes judeus que se encontravam lá, na véspera de sua libertação.

        O titulo de justo entre as Nações lhe foi outorgado em 1966.

        Certificado de Raoul Wallenberg como um do. Justos entre as Nações

        Este é o certificado preparado para ser outorgado aos  membros da família Wallenberg, em 1966. Eles se negaram a recebê-lo considerando, ao que parece. infundadamente, que a aceitação do mesmo seria unta admissão da morte de Wallenberg.

    Não ficou dato o por que de Wallenberg ter sido capturado pelos russos. Inicialmente pode-se ter considerado inconcebível que um sueco abandonasse a segurança de seu lar para viajar a Budapeste. em esforço para resgatar judeus, e pesaram que o fazia por algum outro prop6sito. Por Wallenberg ter sido selecionado e enviado pelo governo norte americano, e por empregar fundos originados em Washington, assumiram que se tratava de um espião. Assim, Wallenberg desapareceu na escuridão de uma de prisão russa, não voltando a ser visto.

           CHIUNE (SEMPO) SUGIHARA

Provavelmente  desobedeci meu governo, mas senão o houvesse feito, haveria desobedecido a Deus. SUGIHARA

        Os vistos de trânsito japoneses foram um elo crucial em um ousado piano para o resgate de milhares de refugiados judeus poloneses na Lituânia. Ao perceber que caso esperasse mais, seria demasiadamente tarde, o Cônsul Sugihara, se empenhou em emitir vistos por iniciativa pr4ria, enquanto aguardava receber instruções de seus superiores. Quando os funcionários de Tóquio deram seu parecer negativo, lhes desobedeceu, e seguiu carimbando os passaportes.
        Em agosto de 1940 emitiu milhares de vistos. Sugihara foi o último diplomata estrangeiro a abandonar Kaunas, e seguiu concedendo vistos até da janela aberta de seu trem de viagem.
        Em seu regresso a Tóquio, depois da guerra, solicitaram sua renúncia do Serviço Exterior e não lhe outorgaram as recomendações regulares, aparentemente devido a sua insubordinação na Lituânia. Depois de desempenhar uma série de trabalhos que incluiram vender aspiradores de porta em porta, se tomou representante em Moscou de unta companhia comercial japonesa.
        Sugihara recebeu o titulo de justo entre as Nações pelo Yad Vashem, em 1984.
        Documento pertencente ao 0v. Zéraj Warhaftig com vistos japoneses e holandeses, e a assinatura de Sugibara e Zwartendijk.
        O Dr. Zéraj Warhaftig nasceu em Volkovysk, Bielorússia. Foi advogado e ativista em Mtzraji, o movimento re1tgioso Sionista. No início da guerra fugiu para a Lituânia, onde cumpriu um papel chave no plano de emitir vistos japoneses e holandeses a refugiados judeus. Continuou atuando em Favor dos interesses judeus durante a época em que esteva
em Xangai,Japão.
        Warhaftig trabalhou para o Congresso judeu Mundial nos Estados Unidos, antes de imigrar para Israel em 1947, onde passou a ser membro do Vaad Leumi e do Conselho Interino do Estado. Foi um dos ratificantes da Declaração da Independência e foi membro do Knesset pelo Partido Hapoel Hamizrají (que posteriormente se transformou no Partido Religioso Nacional) Foi Ministro de Assuntos Religiosos de 1960 a 1971. Wathaftig vive em Jerusalém.

        PER ANGER

Certa vez li sobre o que conseguiu uma pequena quantidade de pessoas e imaginei o que poderiam ter conseguido se mais pessoas tivessem demonstrado que se importavam

PER ANGER, NO PREFÁCIO DO LIVRO DE PER ANGER

        Ver Angu chegou correndo a estação de trem, onde se preparava para partir um transporte de judeus. Em voz alta sustentou que podia ter cometido um terrível erro, e que pessoas que portavam documentos suecos estavam ao ponto de serem deportadas por equívoco. Exigiu revisa, os documentos e ameaçou com um desagradável incidente diplomático. se lhe negassem a fazê-lo.

        Anger encontrou apenas duas pessoas que tinha documentos suecos, mas ao se assegurar de que nenhum dos soldados alemães sabia húngaro, os enganou e libertou mais de cem pessoas que mostraram uma variedade de documentos irrelevantes como carteiras de motorista, certificados de vacinação e inclusive recibos de impostos.

        Anger começou sua carreira diplomática de mais de quarenta anos como Segundo Secretário da Delegação Sueca em Budapest (1943 a 1945), e a concluiu como Embaixador do Canadá. Em 1980 se aposentou para dirigir a Associação Raool Wallenberg e exercer pressão para descobrir detalhes do paradeiro de seu colega.

        Anger foi reconhecido como um dos Justos entre as Nações, em 1981.

        Passes Protetores suecos

        As habilidades e talentos que Raod Wallenbetg demonstrou como estudante de arquitetura na Universidade de Michigan foram bem empregados na produção de passes protetores suecos. A idéia surgiu em sua primeira coarem com seu colega de Budapeste. Pet Anger, e juntos os distribuiram para milhares de judeus húngaros.

        Os documentos de cores amarelo e azul, adornados com a coroa tripla dos Reis Suecos, contavam com uma quantidade impressionante de carimbos e assinaturas que pareciam oficiais. Os judeus que os portavam aumentavam em grande parte as possibilidades de evitar suas deportações aos campos nazistas.

        GIORGIO PERLASCA

Não pude resistir à visão de um povo que era marcado como animais... Não pude resistir ao ver crianças assassinadas. Creio que esse foi o motivo. Não creio que tenha sido um herói "


    GIORGIO PERLASCA

        Giorgio Perlasca foi um fascista italiano que se tornou voluntário para lutar junto a Franco na Guerra Civil Espanhola, e inclusive, deu a seu filho o nome do ditador espanhol. No cargo de diplomata espanhol em Budapeste, resgatou milhares de judeus durante o Holocausto.

        Depois de 1943, os italianos da Hungria não foram considerados aliados amistosos, e Perlasca foi preso. Escapou e, fazendo uso de suas relações pessoais na missão espanhola, encontrou emprego. Trocou seu nome de batismo para Jorge, e obteve credenciais diplomáticas.

        Com a aproximação do exército, o Embaixador espanhol abandonou Budapeste e Perlasca aproveitou a oportunidade para falsificar passes protetores espanhóis adicionais e estabelecer várias casas de proteção. Permaneceu no posto até a chegada do Exército Soviético preocupando-se em proteger judeus. Então, queimou seus documentos espanhóis e voltou a ser um homem de negócios italiano.

        Perlasca foi honrado como um dos Justos entre as Nações, em 1989.

        Um Passe Protetor emitido por Giorgio Perlasca

    Em uma ampla interpretação da política espanhola de ajudar judeus sefaraditas, Angel Saens-Btiz, Ministro da Espanha em Budapeste. concedeu documentos a centenas de judeus, antes mesmo da chegada de Giorgio Perlasca, em novembro de 1944. Saens-Briz abandonou a cidade no final do mesmo mês, sem nomear um substituto para seu posto, nem deixar instruções claras. Perlasca aproveitou tal oportunidade para salvar judeus.

        Emitiu passes protetores espanhóis, como este ao lado, carimbando-os com um timbre encontrado no escritório do Ministro e datando-os cuidadosamente anterior a partida de Saens-Briz.

    Aristides DE Sousa MENDES

«Ainda que me destituam, somente poderei atuar como cristão, como dita minha consciência. Se devo desobedecer ordens, prefiro estar com Deus, contra os homens, que com os homens, contra Deus. »

    ARISTIDES DE SOUSA MENDES

        Membro de uma afortunada família descendente da nobreza portuguesa, Mendes era Cônsul Geral em 1940 em Burdeaux, França, o ponto mais perto da fronteira com a Espanha.

    O Ministério das Relações Exteriores de Lisboa proibiu aos cônsules conceder vistos sem autorização prévia e um memorando interno especificava que os judeus tinham entrada proibida no pais. Mas a compaixão humana o impulsionou a desobedecer a ordem da autoridade a qual havia servido lealmente durante 30 anos. Durante vários dias de junho de 1940, Mendes assinou dezenas de milhares de vistos do autorizados e ordenou que seus subordinados em Bayona fizessem o mesmo.

        Foram enviados funcionários de Lisboa para retirar Mendes de seu cargo. Destituído, privado de seu cargo e de sua aposentadoria, sem poder advogar e boicotado por seus antigos amigos, Mendes se viu obrigado a vender sua casa e pertences. Após sofrer vários ataques, se viu na miséria e passou a viver da caridade de comunidade 1udatca. Morreu em 1954, destituído e esquecido.

        Seu reconhecimento como Justo entre as Nações foi concedido na forma póstuma, em 1967. Em 1988, Mendes foi restituído pelo Ministério das Relações Exteriores Português e posteriormente (1995), honrado com a mais alta medalha de seu país.

    O Rabino Jaim Kruger, esquerda, com Aristides de Sousa Mendes

        O    Rabino Jaim Kruger abandonou a Polônia para servir na comunidade judaica da Bélgica. Ele e sua família fugiram dos nazistas chegando a Burdeaux, França. Sem casa, a família se encontrava em um parque perto da sinagoga local, quando passou o automóvel do Cônsul Geral Português.

    Kruger começou uma conversa com Mendes, que lhe ofereceu refúgio no Consulado. Foi Kruger quem sugeriu que Mendes emitisse grandes quantidades de vistos aos judeus. Ao atrever-se a fazê-lo, Mendes salvou milhares de pessoas, mas pôs fim a sua carreira e saúde.

        JÁN ZWARTENDIJK

Foi tudo uma fraude.

NATHAN GUTWIRTH, SOBREVIVENTE

        Jan Zwartendijk, de Roterdam, Holanda, representava a Corporação Philips, na Lituânia. Poucos dias antes da ocupação soviética (junho de 1940), passou a ser Cônsul Interino dos Países Baixos

        Poucos judeus holandeses se dirigiram a seus representantes diplomáticos solicitando ajuda pata obter veto pata países perto dos Estados Unidos. As revisões indicavam que não eram solicitados vistos para os territórios de Suriname e Curaçao, ambos sob o controle holandês, considerando o fato de que dificilmente se outorgava permissão de entrada nestes territórios e que isto era de exclusiva competência do governo local.

        Zwartendijk escreveu, conscientemente, uma meia verdade nos passaportes judeus Declarava não ser necessário visto para entrar em tais lugares, mas omitia ser praticamente impossível ingressar aos mesmos. Tal visto permitiu aos refugiados comprarem passagens de trem para cruzar a União Soviética e sobreviver a guerra no Japão, ou em Xangai. Nenhum deles jamais tentou chegar aos territórios holandeses.

    Em 1997 Yad Vashem reconheceu Jan Zwartend como um dos Justos entre as Nações. Nathan Gutwirth e sua esposa, em Kobe, Japão, 1941

        Nathan Gutwirth, estudante de 23 anos da Yeshivá Telz, na Lituânia, era cidadão holandês. Em meados de julho de 1940, se dirigiu ao seu representante diplomático em Kaunas, Jan Zwartendijk, solicitando ajuda para fugir.
Zwarteadijk sabia que o embaixador em Riga havia outorgado um visto para Curaçao, a uma cidade holandesa e a seu esposo polonês, de modo que fez o mesmo para Gutwirth.

        Gutwirth relatou ao ativista sionista Zénj Wahafting sobre o visto que havia recebido e ele lhe enviou novamente ao Cônsul holandês pata solicitar que emitisse vistos similares a qualquer refugiado judeu polonês que o pedisse.

Zwattendijk aceitou, Wahahing difundiu a notícia e milhares de judeus fixam resgatados

        FENG SHAN HO

    Os presentes do céu não são casualidade, as convicções dos heróis não se formam, com, facilidade

    DE UM POEMA DE FENG SHAN HO

    Feng Shan Ho morreu em setembro de 1997, aos 96 anos de idade. Ninguém nunca lhe perguntou o que fez para ajudar aos judeus durante sua missão como Cônsul da China, em Viena (1938 - 1941), e ele nunca contou sua história.

        Após a anexação alemã da Austria (março 1938), os judeus foram atacados fisicamente e reclusos em campos de concentração. Os diplomatas em missão em Viena se viram inundados por pedidos de ajuda. 1-lo decidiu ajudar os
judeus a chegarem em Xangai. Somente agora estio sendo conhecidos os detalhes de suas atividades, mas o parecer de seu superior, o embaixador da China na Alemanha, se opôs energicamente e o aconselhou a desistir. Ho acreditava que as informações negativas sobre sua pessoa provavelmente prejudicaram sua carreira.

        Eric Goldstaub (de pé) em Xangai, China

        Um dos agraciados sobreviventes, Eric Goldstaub, vive atualmente perto de Toronto, Canadá.
        Seus estudos de secundarista foram interrompidos abruptamente quando os alemães ocuparam a Áustria. Os nazistas o insultaram e o obrigaram a limpar ruas, e Goldstaub decidiu fugir.

        Durante os dois meses seguintes, se dirigiu aos diplomatas de 40 ou 50 delegações, mas não conseguiu obter visto em nenhuma delas, até que o Cônsul chinês, Ho, emitiu 20 permissões de viagem pata toda sua família. Reservaram passagens para o dia 20 de dezembro de 1938.
        A loja da família foi demolida no pogrom da Noite de Cristal (10 de Novembro de 1938), e Goldstanb e seu pai foram presos. Mas em lugar de serem deportados a um campo de concentração nazista, mostraram seus documentos chineses e foram libertados. A poucos das se encontravam a caminho da liberdade.
        Até muito pouco tempo. Goldstaub não sabia o nome da pessoa que o resgatou.

        HIRAM (HÁRRY) BINGHAM IV

«Tem um coração de ouro. Faz tudo o que pode para nos ajudar, no marco da lei norte-americana »
Descrito por VARIAN FRY

        Hiratn (Harry) Bingham IV era Vice Cônsul norte-americano em Marselha, encarregado da seção de vistos. Após a derrota da França junho de 1940), comitês humanitários privados pressionaram o Departamento de Estado para resgatar artistas proeminentes, cientistas e políticos anti-nazistas foragidos no sul da França.

        A simpatia de Bingham para com os refugiados chocou com a oposição de seus superiores. Em pouco tempo foi enviado para a Argentina, e em 1945, renunciou ao Serviço Exterior.

        Apesar de ser descendente da aristocracia da Nova Inglaterra, e filho de um governador de Connecticut e senador norte americano, 1-liranu Bingham IV passou a segunda metade de sua vida em um relativo isolamento como agricultor, artista e inventor.

        Lion Feuchtwanger chega a Nova Iorque para rodada de conferências, 17 de novembro de 1932.

        Nascido em 1884 em Munique, Alemanha, Feuchtwanger era um dramaturgo e escritor histórico. Muitas de suas obras se converteram em best sellers e várias fixam adaptadas para o cinema.

        Feuchtwanger se encontrava em uma rodada de conferências nos Estados Unidos, quando Hitler foi eleito chanceler da Alemanha janeiro de 1933), e decidiu não regressar a sua casa e estabelecer-se no sul da França. Apesar de ser judeu, era um conhecido opositor do nacional-socialismo. Em 1934 escreveu Os Oppermanns uma incisiva história sobre os terrores do primeiro ano de nazismo. Após a invasão alemã (junho de 1940), foi recluso pelo governo de Vichy em um campo de detenção em Nimes.

        Feuchtwanger foi ajudado a escapar por Hiram Bingham, que visitou o escritor com roupas de mulher e o escondeu na casa do próprio Vice Cônsul. Por intervenção pessoal do Presidente Roosevelt, Feuchtwanger foi autorizado a ingressar nos Estados Unidos.

        CARL. (CHARLES) LUTZ

    ... será recordado para sempre em nossos anais, como um dos relativamente poucos homens que tiveram  a honestidade e a coragem de enfrentar nossos perseguidores.
BERNARD JOSEPH, EM NOME DO EXECUTIVO DA AGENCIA JUDAICA, 28 DE MAIO DE 1946

    Entre 1935 e 1941, Carl (Charles) Lutz serviu na delegação Suíça em Israel, pré-estatal, onde teve contato pela primeira vez com o povo judeu. Em janeiro de 1942 foi designado para Budapeste, Hungria, onde representou os interesses dos Estado, Unidos, Grã-Bretanha e outros 14 países. Lutz captou o potencial de salvar judeus com passes protetores e casas de proteçâo, métodos de resgate que foram empregados também por Wailenberg, Perlasca, Rottt, Bom e outros. Juntos, resgataram a maior concentração de judeus que estavam sob domínio nazista, Em maio de 1944, quando soube da iminente deportação de judeus húngaros, Lutz reuniu as delegações neutras, em protesto. Mas as palavras não tinham efeito algum sobre os assassinos, de modo que Lutz entrou em ação. Outorgou passes protetores adicionais, recolheu judeus em casas de proteção, as quais as autoridades governamentais e inclusive a polícia não tinham acesso, e alcançou grupos de deportados com o fim de distribuir vistos adicionais e resgatar assim, mais judeus das Mantas de Morte.

        Yad Vashem reconheceu Lutz como um dos `Justos entre as Nações, em 1965.

        Um dos passaportes coletivos emitidos por Carl Lutz

        Responsável pelos interesses britânicos na Hungria, Carl Lutz, da Embaixada Suiça, emitiu documentos de identificação a judeus, aos quais as autoridades britânicas haviam outorgado o direito de emigrar a Israel, pré-estatal e que haviam sido declarados cidadãos britânicos em potencial. Como representante do governo de EI Salvador, distribuiu documentos de cidadania que haviam sido emitidos em Genebra. Estas ações de outorgar proteção estrangeira a outros judeus húngaros, lhe inspirou a criar seus próprios passes protetores.

        Lutz conversou com Raoul Wallemberg a respeito das formas que estes documentos poderiam ser empregados para resgatar vidas, multiplicando seu uso. Muitos outros documentos foram falsificados pelos próprios judeus

        A estratégia especial de Luta era agrupar os nomes de 1.000 judeus em um passaporte coletivo, como o mostrado ao lado. Utilizando os mesmos números de inscrição, dificultava a verificação da validez de cada documento pelas autoridades húngaras e alemãs.

        ARACY MOEBIOS DE CARVALHO

        Aracy Moebios de Carvalho viveu com Guimarães Rosa por quase 30 anos. Os dois se conheceram no Consulado do fitas II em Hamburgo, onde trabalhavam e ajudavam judeus a fugir da Alemanha, quando o nazismo tomou conta daquele país.

    Aproveitando ser funcionária da seção de passaportes, teve a oportunidade de ajudai muitos judeus durante a guerra. Além de preparar centenas de vistos, que eram assinados por Guimarães Rosa, levava-os até a fronteira, ate mesmo no porta malas do carro do consulado, onde estariam salvos. Quando questionada na fronteira pelos nazistas, retrucava: Veja meu cato - que era carro diplomático. então eles não faziam nada.

        Aracy também contava com um amigo alemão na policia que não gostava de Hitler e a ajudava a salvar os judeus. Depois da guerra, de tudo acabado, foi procurá-lo e soube que tinha sido preso e seu pandeiro dera desconhecido. Naturalmente, ele morreu, afirmou Aracy.

        Por seus atos, foi homenageada com medalhas, condecorações e seu nome foi dado a um bosque em Israel.

        SOUZA DANTAS

        Poucos brasileiros sabem que o país teve nos quadros do Itamaraty um diplomata que para salvar vidas de centenas de judeus descumpria ordens de superiores e devido a diversos fatores de ordem política, foi praticamente esquecido e jamais homenageado. O Embaixador Sorna Dantas declarou conhecer o destino terrível que esperava os judeus embarcados aos trens, e por isso fez o que pode pata salvá-los.

        Quase que acidentalmente, o nome do embaixador se tomou conhecido através de um relato feito por um senhor judeu que havia sido ajudada em Vichy no ano de 1940. Considerava que o vistos concedidos por Souza Dantas a todos os membros de sua família, os haviam salvo da deportação e consequentemente da morte. Não se conformava pelo fato da memória desse embaixador jamais ter sido resgatada.

        Além do esforço do embaixador em possibilitar a saída da Europa dos perseguidos do nazismo, a maioria desses judeus ou pessoas que não se adequavam as restrições raciais então impostas. Sorna Dantas denunciou textualmente os horrores dos Campos de Concentração, e reiteradas vezes, o extermínio dos judeus sendo levado a cabo pela Gestapo. Essas denúncias aparecem a partir de 1940 na correspondência oficial ao governo brasileiro.

        Conhecendo as dificuldades que tinham os judeus de fugir da Europa por vias terrestres, e que por via marítima era indispensável a apresentação de passaporte com visto válido, o Embaixador Sorna Dantas dizia ter assumido mais essa atribuição, a de conceder pessoalmente os vistos, que era até então atribuição apenas dos consulados.

        Souza Dantas se empenhou em conceder vistos a centenas de pessoas. Interpretou sempre da forma mais elástica possível as determinações do governo brasileiro, concedendo vistos a portadores de passaportes de apátridas e simples títulos de identidade, assim como concedeu em grande número vistos diplomáticos a estrangeiros que não estavam dentro dos parâmetros formais para receberem tal tipo de visto. Outros receberam vistos simbólicos, ou seja, apenas um carimbo da embaixada e a informação escrita em francas, de próprio punho do embaixador, que o portador poderia viajar ao Brasil. Chegou a conceder vistos a estrangeiros que já haviam tido o pedido indeferido pelo governo brasileiro anteriormente.

        Em novembro de 1940, o ltamaraty chamou a atenção de Sorna Dantas para que não mais concedesse vistos a apátridas e que seguisse as demais normas pertinentes à concessão de vistos, ou seja, cada caso deveria ser remetido ao Brasil via telegrama, e a decisão a respeito da concessão deveria ser dada pelas autoridades do governo. Mas Souza Dantas ignorou tal diretriz e seguiu concedendo vistos, Em alguns casos, datou retroativamente o visto diplomático. preenchendo nos passaportes uma data anterior a proibição que havia recebido. Em outros casos, explicou aos refugiados que o visto lhes seria útil para chegar a Portugal e até a sair da Europa, mas que dificilmente conseguiriam descerem território brasileiro.

        Souza Damas se manteve a frente da embaixada em Vichy até o final de 1942, quando chegou a tentar resistir a
invasão da embaixada por soldados alemães. Em janeiro de 1943 foi preso pelos nazistas e internado em Bad
Godesberg, na Alemanha, de onde foi libertado apenas em 1944.

        À atuação desse diplomata jamais foi resgatada, para desta forma, por contraste, não evidenciar a ação, negligência e omissão de tantos outros diplomatas e membros do governo brasileiro que, durante a Segunda Guerra Mundial, se tomaram participes indiretos da grande tragédia do Holocausto.

    JOSÉ ARTURO CASTELLANOS


    Tudo começou quando o Primeiro Secretário do Consulado de EI Salvador em Genebra, George MandeI-Mantello, judeu de origem romana, sugeriu ao Cônsul Geral, José Arturo Castellanos, que emitisse certificados de cidadania salvadorenha a judeus de diversas partes da Europa, a fim de resgatá-los das garras opressoras de Hitller.

    E foi o que aconteceu. Contando com o aval do Governo, forneceram milhares de certificados, que permitiam ao portador permanecer sob a proteção da Cruz Vermelha Internacional. Desta maneira, mais de 40.006 judeus foram salvos.

    Em virtude desta operação, conhecida agora como A Ação de El Salvador, MandeI foi aprisionado pela Gestapo, na Iugoslávia, acusado de fornecer documentos falsos. Por um milagre consegui escapar e continuou sua missão.

    EI Salvador foi o único país do mundo a emitir os documentos sem reservas, garantindo inclusive cidadania aos judeus.

        XANGAI

        Xangai foi uma cidade singular. Era o único lugar no mundo em que as pessoas podiam entrar sem um visto ou documento oficial de qualquer tipo. Cerca de I8000 judeus austríacos e alemães e uns 2.000 mais da Polônia incluindo muitos estudantes de Yesbivd e seus rabinos, se refugiaram  ali durante o holocausto. A Yeshivd Mir foi resgatada quase em sua totalidade.
        O Comitê Conjunto Judeu de Distribuição (Joint) brindou com a maior assistência aos judeus refugiados em Xangai entretanto. outros grupos também ajudaram. Um dos quais foi o Comitê Internacional para o Outorgamento de Socorro aos Refugiados Europeus (CI), criado e administrado por Paul Komor, o Cônsul Cera lHonorário da Hungria, em Xangai.
        O CI oferecia alojamento e alimentação subsidiados a centenas  pessoas, lbes ajudava a encontrar empregos, administrava programas educativos e de saúde e oferecia serviços bancários e jurídicos. Após o estalar da guerra do Pacífico (dezembro /941), Komor foi preso pela Inteligência Nava Japonesa e mantido durante um breve período sob condições muito difíceis aparentemente sob suspeita de espionagem.
        A massa de refugiados judeus abandonou Xangaí em 1945, dirigindo-se ao ocidente e os demais partiram após a revolução comunista (/949).

BUDAPESTE

        Budapeste, Hungria, pemaneceu relativamente segura apesar da guerra que ardia na Europa, entretanto, a ameaça se estreitou ao seu redor, em 1944. Pouco depois da ocupação nazista  em março. os 435.000 judeus que viviam nas províncias húngaras  foram sistematicamente concentrados e deportados a vários campos, especialmente a  4.datwefl a Aushuintz Birkenau. Foi a mais rápida das grandes operações de assassinato do Holocausto.
        Ainda que a decisão húngara de suspender os transportes (9 de julho) ocasionou uma trégua temporária aos 200.000 judeus de Budapeste - a última e maior concentração de judeus europeus que ainda se encontrava fora dos acampamentos nazistas - as deportações reiniciaram em novembro com as Marchas da Morte, na Áustria.
        Os governos neutros, junto com a Cruz Vermelha Internacional e outras organizações protestaram ante os húngaros pelo tratamento dado aos judeus, mas no inverno de 1944/45 o foco estava direcionado em proporcionar casas de proteção e passes protetores Mais de 25.000 judeus encontraram refúgio nas casas de proteção:  edifícios em que as delegações neutras baviam declarado estar sob controle de seus cuidados diretos. Os passes protetores eram documentos que identificavam seus portadores como pessoas sob indefinida forma de proteção estrangeira. Milhares desses documentos foram emitidos oficialmente e outra dezena de milhares foram falsificados e distribuídos pelos jovens sionistas.
        O status extraterritorial de tais casas e documentos nem sempre  eram respeitados, mas contribuíram para criar o  clima singular que existiu em Budapeste durante os últimos meses do Holocausto e foram um fator importante para o resgate de cerca de 120.000 judeus.

        Outros onze diplomatas que foram reconhecidos por Vad Vashem como Justos entre as Nações. São realizados contínuos esforços para reunir informações sobre os mesmos, assim como material fotográfico, e ser
Incluído em exibições futuras..

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